“UMA GUERREIRA QUE NÃO FOGE A LUTA”
Publicado em 15/06/2016

É PRECISO FALAR SOBRE LGBTFOBIA

Não se pode invisibilizar a LGBTFobia

Creditos: Luiza Erundina

Há quem diga que não importa se eram gays as vítimas de Orlando (EUA), mas seres humanos. Mas não podemos invisibilizar um crime de homofobia. O massacre foi um crime de lesa-humanidade que afronta os direitos humanos, as liberdades individuais.

Importa que eram gays, importa o fato de uma sociedade não aceitar que duas pessoas do mesmo sexo demonstrem afeto em público, adotem crianças, doem sangue, se casem. É uma escala de intolerância que acaba num massacre em uma casa noturna que recebia eventos LGBTs. Para fazer com que esse ciclo de violência acabe, é preciso dar nome ao que motiva esse tipo de crime.

Não se pode ignorar que este foi o maior massacre dos Estados Unidos desde o 11 de setembro de 2001, com a morte de 50 pessoas e outras 53 feridas. O atirador abriu fogo dentro de uma boate LGBT, um ambiente que seria considerado livre para essa comunidade se divertir sem medo, no mesmo fim de semana em que boa parte do país celebrava o Orgulho Gay. É também o momento em que a corrida presidencial norte-americana coloca em evidência um porta-voz do discurso de ódio contra as minorias, Donald Trump.

O pai do homem que fez os disparos disse à imprensa norte-americana que o crime não tem relação com religião, como sugeriram as primeiras hipóteses. Ele afirmou que o filho ficava “muito incomodado” ao ver dois homens juntos, se beijando. A declaração é emblemática. Ela mostra que o crime poderia ter ocorrido em qualquer outro lugar, com quaisquer outros integrantes da comunidade LGBT, por intolerância.

No Brasil, são quase 300 assassinatos por homofobia por ano. Há 15 anos, o adestrador de cães Edson Néris da Silva foi espancado até a morte em plena Praça da República, no Centro da capital paulista. Esse foi o primeiro caso de crime homofóbico a ser amplamente divulgado pela imprensa nacional. Edson foi o primeiro, mas, lamentavelmente, não foi o último. A média brasileira é de um assassinato a cada 27 horas.

Aqui, muitos também se incomodam ao ver a expressão pública do afeto homossexual; não querem ver seus filhos assistindo a cenas de beijo gay; falam que gays, lésbicas, bissexuais e transexuais querem "implantar uma ditadura gay"; reclamam de uma educação que respeita a diversidade de orientação sexual e identidade de gênero.

Toda a nossa solidariedade aos familiares das vítimas e aos sobreviventes da tragédia. E que esta barbárie abra os olhos do mundo aos riscos da intolerância e da LGBTfobia.

 

Foto: Ato em Stonewall em solidariedade às vítimas do atentado homofóbico em Orlando